Cobrei errado!

price.jpgChegar ao valor correto do seu trabalho é algo que exige um pouco mais do que comparação com os concorrentes locais e gastos de produção. É preciso conhecer o seu valor de mercado, o uso do trabalho e o cliente. O seu valor de mercado vai depender de seu currículo e tempo de mercado. O uso do seu trabalho é para saber aonde ele será veiculado e por quanto tempo. Uma palavrinha que aprendi um pouco tarde, “buyout”, que é quando cedemos todos os direitos de uso para o comprador. Se você não assinou nada com o cliente e não deixou isso claro de alguma forma contratual, automaticamente o serviço que você prestou já é considerado buyout, ou seja, é dele para sempre.

Mas por que devo conhecer também o cliente? Isso faz sentido quando você quer tirar proveito de uma negociação. E isto não é errado, afinal estão todos tirando proveito de alguma forma de você e do seu trabalho, coisas do mundo humano. Uma história que me recordo em meu começo de carreira foi quando orcei um trabalho para o BB (Banco do Brasil), era um curta de seus 8 a 12 minutos de animação 3D, eu cobrei 2 mil, que na época era algo muito abaixo do mercado mas bastante suficiente para mim. Meu orçamento foi recusado. Alguns anos depois fiquei amigo do diretor de Marketing do BB, responsável pela contratação dos trabalhos externos. Em um momento oportuno eu perguntei sobre o motivo do meu orçamento ter sido recusado, ele respondeu, o seu portfólio era o melhor mas o seu preço estava barato demais e desconfiaram se você teria capacidade para fazer o trabalho.

Quer saber quais eram os outros valores? 

  • Eu = 2mil
  • A produtora que iria me contratar para fazer o serviço = 6 mil
  • Outro artista = 12mil

Vencedor: Outro artista.

Seguido chegavam orçamento diretos a mim que eram recusados e consequentemente as produtoras que fechavam os negócios me chamavam para fazer o trabalho. Era uma espécie de pacto oculto de mercado. Certa vez em uma destas produtoras cheguei a perguntar o porque de não pegarmos os cliente diretamente já que a agência não estava fazendo nada. Não generalizando, porque tem agências que são verdadeiras guerreiras. Mas a resposta do meu colega foi, porque dai não pegamos mais trabalhos… É uma cadeia alimentar. A agência ganhava 3x, a produtora 2x, eu ganhava meio x quando eu estava com sorte, e a TV, bem a TV ganhava em y e não dava para contabilizar 😉

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