Ursinhos Carinhosos é o que faz sucesso!

bearsloveMe recordo que eu tinha um amiguinho de escolinha que desenhava os Ursinhos Carinhosos, as meninas passavam o recreio todo correndo atrás dos desenhos dele, ou será que era dele? Enfim, ele era um sucesso! Os meus desenhos eram tipo, olha parece que ele sabe desenhar… Mas porque será que ele não desenha? A verdade é que eu nunca fui de seguir tendências ou copiar personagens famosos, e quando o fazia, eu normalmente colocava estes personagens famosos para lutar contra os meus, seria um tipo de recalque dos Ursinhos Carinhosos? Não…

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Pela minha experiência posso te afirmar, as empresas do entretenimento em geral, precisam muito mais de mão de obra para tarefas corriqueiras do que artistas criativos. Em outras palavras, se você é capaz de replicar um estilo de arte você terá mais oportunidades de trabalho do que criando suas próprias idéias. Criar algo novo não é uma tarefa fácil, e criar algo que agrade ao maior número de pessoas é ainda mais difícil. Até mesmo as grandes empresas como a Ubisoft por exemplo, investem milhões em pesquisas e protótipos que nunca vão chegar a ver a luz do dia.

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Mas Amora e se mesmo assim eu ainda quiser criar ao invés de copiar? A resposta que tenho para você é: será um caminho mais difícil, porém, se você tiver sucesso muito provavelmente você será lembrado para sempre. É isso que você quer? Então siga seu sonho e não copie os Ursinhos Carinhosos.

Cobrei errado!

price.jpgChegar ao valor correto do seu trabalho é algo que exige um pouco mais do que comparação com os concorrentes locais e gastos de produção. É preciso conhecer o seu valor de mercado, o uso do trabalho e o cliente. O seu valor de mercado vai depender de seu currículo e tempo de mercado. O uso do seu trabalho é para saber aonde ele será veiculado e por quanto tempo. Uma palavrinha que aprendi um pouco tarde, “buyout”, que é quando cedemos todos os direitos de uso para o comprador. Se você não assinou nada com o cliente e não deixou isso claro de alguma forma contratual, automaticamente o serviço que você prestou já é considerado buyout, ou seja, é dele para sempre.

Mas por que devo conhecer também o cliente? Isso faz sentido quando você quer tirar proveito de uma negociação. E isto não é errado, afinal estão todos tirando proveito de alguma forma de você e do seu trabalho, coisas do mundo humano. Uma história que me recordo em meu começo de carreira foi quando orcei um trabalho para o BB (Banco do Brasil), era um curta de seus 8 a 12 minutos de animação 3D, eu cobrei 2 mil, que na época era algo muito abaixo do mercado mas bastante suficiente para mim. Meu orçamento foi recusado. Alguns anos depois fiquei amigo do diretor de Marketing do BB, responsável pela contratação dos trabalhos externos. Em um momento oportuno eu perguntei sobre o motivo do meu orçamento ter sido recusado, ele respondeu, o seu portfólio era o melhor mas o seu preço estava barato demais e desconfiaram se você teria capacidade para fazer o trabalho.

Quer saber quais eram os outros valores? 

  • Eu = 2mil
  • A produtora que iria me contratar para fazer o serviço = 6 mil
  • Outro artista = 12mil

Vencedor: Outro artista.

Seguido chegavam orçamento diretos a mim que eram recusados e consequentemente as produtoras que fechavam os negócios me chamavam para fazer o trabalho. Era uma espécie de pacto oculto de mercado. Certa vez em uma destas produtoras cheguei a perguntar o porque de não pegarmos os cliente diretamente já que a agência não estava fazendo nada. Não generalizando, porque tem agências que são verdadeiras guerreiras. Mas a resposta do meu colega foi, porque dai não pegamos mais trabalhos… É uma cadeia alimentar. A agência ganhava 3x, a produtora 2x, eu ganhava meio x quando eu estava com sorte, e a TV, bem a TV ganhava em y e não dava para contabilizar 😉

Foi meu sobrinho quem fez!

sobrinho.jpgDepois de formado em design eu via oportunidade em todos os lugares, isto por causa dos muitos trabalhos ruins que eu observava no mercado. O fato é que quando se trata de trabalhar para o mercado, os clientes querem de alguma forma participar do resultado, mas as vezes eles exageram e algo sai muito errado… Alguns trabalhos ficam tão ruins que parecem ter sido feitos por algum sobrinho queridinho de alguém. E isso me faz lembrar de uma história do meu velho professor de design gráfico.

Conta ele que um dia foi atender um cliente dono de uma rede de postos de gasolina. Quando perguntou ao cliente qual era sua expectativa ele respondeu: eu queria contemplado todos os serviços do meu posto nesta marca, troca de óleo, calibragem, loja de conveniência, lava rápido, enfim, uma marca que mostre cada serviço que meu posto oferece. Educadamente ele disse: pois não, vou apresentar 3 propostas para você escolher. No dia da apresentação o cliente reprovou todas as propostas e para deixar tudo mais inconveniente ele tirou um papel do bolso e disse: meu sobrinho fez este desenho e é assim que eu quero. Meu professor educadamente se levantou e disse, infelizmente eu não posso atender você, passar bem! Em outras palavras, então deixe o pirralho fazer!

É como aquela frase, o sujeito compra o cachorro e quer latir por ele. O fato é que hoje há cada vez mais críticos de arte. Você pode ter a técnica, o talento, o bom gosto, mas no final se você não souber conduzir o trabalho, é possível que o seu trabalho seja feito pelo sobrinho espertinho de alguém. Conduzir o trabalho significa mostrar aquilo que você aprendeu com segurança. Prepare seu discurso, compreenda os termos usados no mercado, comunique-se sem medo, e finalmente conduza o trabalho. Deixar outra pessoa conduzir o seu trabalho é atestar a sua incompetência, e isso certamente será transmitido para o resultado final do trabalho.

 

Raio laser só pagando!

 

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Quando comecei minha carreira profissional meu primeiro emprego foi auxiliar de almoxarifado de obras. Estava mais para servente de obras, pois o serviço era basicamente coletar e entregar as ferramentas para os operários, organizar sacos de cimento e empilhar os tijolos, e com meus 1,87m de altura e cerca de 58 Kg, ou seja uma vara de pescar, força não era muito minha praia.

 
1127694609_0f16d0769cO vento começou a mudar quando um amigo me ofereceu uma oportunidade. Me chamou para trabalhar na empresa em que ele era sócio, era um curso para vestibular muito importante na região e a vaga era para digitador. Como nesta época eu estava conhecendo o universo da informática através do curso de informática básica, resolvi aceitar a proposta. Só para te situar no tempo, o curso ensinava Lotus 123 e Fox Pro algo como o Word e Excel só que para DOS.

1457b552182a8aa.jpgDeve estar pensando, dai com este novo emprego o velho Amora disparou! Na verdade não foi bem assim, eu fui demitido em menos de 1 mês de trabalho quando descobriram que eu usava apenas 3 dedos para digitar… O colega do meu lado, ele sim era profissional! Eu quase não via os dedos dele se mexerem, tipo impressora humana. Além do mais, eu sempre fui péssimo para escrever, erro muito e tenho muita pressa em escrever o que penso, por isso este texto que você lê deve estar repletos de erros apesar de eu ter lido 3 vezes, mas estou me esforçando para melhorar e contar minha história para vocês…

 

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Esse mesmo amigo que me ofereceu um emprego, após minha demissão financiou um curso de 3D para mim. Quando alguém perguntar o que é um amigo para você, saiba diferencia-lo dos colegas de bar que te pagam rodadas e os que realmente querem teu bem. O curso foi rápido, mais essencial para me jogar direto neste universo do entretenimento que estou até hoje.

tenor.gifEra o avó do 3DS MAX, chamava-se 3D R3 para DOS. O ambiente windows 3.1 ainda era algo que estava evoluindo. Me lembro de duas coisas, eu sou muito inquieto, nunca fazia o tal cubo que o professor pedia, sempre tentava de alguma forma colocar minhas idéias mirabolantes para funcionar. E a segunda não menos importante. Quando pedi para o professor me ensinar a fazer um raio-laser em 3D ele me disse prontamente, dai você tem que pagar mais… : /